A propósito do artigo de opinião que esta Senhora publicou no Jornal da Moita, no qual se refere à saudação do Bloco de Esquerda ao Dia da Mulher, proposta na última Assembleia Municipal.
Fui dos poucos, senão mesmo o único assistente do público que se manteve até ao final da referida Assembleia, logo assisti a tudo o que por lá se passou.
.
Começo por considerar estranho que este artigo tenha sido publicado nesta data, uma vez que demonstra ter conhecido antes de publicado o conteúdo do escrito do Srº António Chora, publicado no mesmo dia e na mesma página, traduzindo no caso, ou a existência de um ajeitado pluralismo jornalístico, ou o uso antecipado do direito de resposta.
.
Sobre as moções apresentadas na Assembleia Municipal pela CDU e o BE, constatei o seguinte:
1- Os membros do BE, sem qualquer comentário, votaram a favor da Moção da CDU;
2- A saudação apresentada pelo BE, embora tratando o tema de forma diferente, não continha qualquer critica ao Executivo da Câmara Municipal, apenas apresentava uma recomendação sustentada em apoios no âmbito do QREN;
.
Fiquei estupefacto com as intervenções proferidas pelos membros da CDU em relação à Moção do BE, nomeadamente a do Srº Merendas ao considerar que a referida moção não só branqueia o papel do governo como ataca vergonhosamente a Câmara, ordenando de imediato em estilo patronal a todos os elementos da CDU, para que votassem contra.
.
A falta de bom senso e o sectarismo tornou-o cego por instantes. Basta perceber que se os elementos do BE pretendessem branquear o que quer que fosse, não só teriam usado da palavra sobre a moção da CDU, como teriam votado contra.
Qualquer pessoa liberta de má fé perceberia que se tratavam de moções sobre o mesmo tema e que se complementavam, pois a do BE, ao contrário do que dizem não contém qualquer ataque à Câmara, apenas integra uma recomendação sem qualquer frase acintosa. Deste modo, se o que sucedeu na Assembleia por parte da CDU já foi um enorme disparate, o artigo da Srª Vanda Figueiredo é apenas um despropósito absurdo.
.
Partindo da frase que escreveu "infelizmente há pessoas que se dizem democratas e que não se comportam como tal", relembro algumas das recentes e frequentes práticas da CDU na Assembleia Municipal da Moita, a que eu tenho assistido.
A CDU detém o record de moções apresentadas sobre questôes de âmbito nacional, esgotando sistemáticamente, até à exaustão o ponto antes da ordem do dia - integrando nos respectivos textos uma fraseologia normalmente acintosa em relação à oposição, com o claro objectivo de limitar as votações à sua maioria absoluta. Tal prática exclusivista e sectária, manifesta-se até nos textos de saudações ao 25 de Abril ou ao 1ºde Maio, não se verificando qualquer esforço unitário, ou sequer o desejo de conseguir a unanimidade do orgão Assembleia Municipal. Preferem quase sempre encaminhar as discussões para um estilo grosseiro, despropositado, impedindo a elevação e funcionamento democrático daquele orgão composto por pessoas eleitas, tal como eles, representantes da população do Concelho.
.
A cegueira é tanta, que aconteceu no voto de pesar aquando do falecimento de José Saramago, apresentarem um texto de tal modo exclusivista e provocador, que descambou numa discussão sórdida e inapropriada, descredibilizando a Assembleia Municipal, pois tais procedimentos não honraram a memória do escritor. Apresentaram-no como sua propriedade, como se obras como "O Memorial do Convento" ou outras que ele escreveu, fossem manuais ou catecismos partidários. Saramago que pouco tempo antes em entrevista a J.Rodrigues dos Santos, dissera "que o comunismo falhou", contextualizando tal afirmação sem sequer negar o seu ideário, usando apenas a realidade dos acontecimentos, exactamente liberto das nostalgias de que infelizmente tantos ainda enfermam. Mas a cegueira é tanta, que voltaram ao mesmo aquando do falecimento de Dias Lourenço, pois o suposto voto de pesar pela natureza do texto apresentado, mais pareceu a promoção da devassa - sobre este não adianto mais, meteu-me nojo o que se passou!...
.
Estive no funeral de Álvaro Cunhal, de entre muitos milhares de pessoas, muitas nem sequer eram votantes do PCP. Lá aconteceu com a minha companheira encontrar uns tios, pessoas que sempre votaram no PSD - a certa altura, quando a urna passava, observei a tia rezando.
.
Em democracia apresentam-se propostas, não se impõem vontades - respeitam-se as convicções e sentimentos dos outros.
.
P.S.- Na ultima Assembleia, apenas no destrinçar de equivocos formais relativos a uma acta, sem jeito nem trambêlho um membro da CDU, com todas as letras apelidou o deputado Tita de mentiroso. Assim vai a educação - calculo até que o Srº Tita deve ter peçonha por ser do CDS - assim vai a democracia.