quarta-feira, janeiro 31, 2007

Azul Ilegal

Conheço este AZUL de algum lado, mas não sei se... Não, não deve ser... Ou será que é??? Ah pois é!!!

Adolfo Luxuria Canibal Responde pelo SIM

O vocalista dos Mão Morta apela ao SIM no referendo.


Ena, que grande confusão vai por aí!... Um feto é um ser humano? E um girino, é uma rã? E um ovo, é uma galinha? E o pai natal existe? Podes acreditar no que quiseres e actuar em consonância com o que acreditas, não obrigues é os outros a acreditar no que tu acreditas. A idade média e a inquisição já eram (espero eu)...

Uma vitória do sim não vai obrigar ninguém a fazer abortos, pelo contrário vai dar a possibilidade a toda a gente de actuar livremente segundo a sua consciência. Vai possibilitar que uns não sejam penalizados pelo fundamentalismo de outros. Achas que um feto é um ser humano: tens toda a legitimidade para achar isso e para actuares em conformidade, não tens é legitimidade para me impores que eu ache a mesma coisa e para que eu actue conforme tu achas - e isso é o não, uma forma de uma crença particular continuar a impor-se sobre toda uma sociedade!

Nunca conheci ninguém que gostasse de abortar (e conheci muita gente que o fez...), é das decisões mais terríveis e dolorosas que se pode tomar. Acrescentar à dor dessa decisão a clandestinidade, com o inerente perigo de vida (conheci várias pessoas, incluindo amigas, que morreram por sequelas de aborto) e a ameaça de prisão, para si ou para quem a ajude (também conto entre os meus amigos pessoas que passaram anos na prisão por terem, de alguma forma, ajudado na prática de aborto, e eu próprio incorri várias vezes nesse crime, inclusivé com participação directa no acto abortivo - havendo falta de dinheiro para recorrer a clínicas clandestinas mais sofisticadas, improvisava-se a clínica no quarto - é isto o sórdido da clandestinidade), é, no mínimo, uma crueldade gratuita e malévola. É inquisição no seu pior! É, mais uma vez, mandar a mulher-bruxa-demónio para a fogueira.

Deixemo-nos de jogos de semântica! O que está em causa é se devemos ou não continuar a castigar penalmente e fisicamente aquelas (e aqueles) que, porqualquer motivo - doloroso, sem dúvida - tiverem que recorrer a uma interrupção da gravidez. E a minha resposta é não! Não temos o direito de castigar essas pessoas.

O meu voto é sim, e seria sempre sim fosse qual fosse a pergunta a referendo desde que possibilitasse qualquer avanço civilizacional na liberalização do aborto.

Adolfo L.C.

Grande Montra de Prémios...

...O primeiro artigo é do CATANO.

terça-feira, janeiro 30, 2007

As ascencões e as Fugas !

Dei por mim a pensar (fico feliz por pensar que penso) nas várias sucessões a que temos assistido na nossa Autarquia.
O Zé Luís foi vereador do urbanismo, ascendeu a pesidente.
O João de Almeida foi vereador do urbanismo, ascendeu a presidente.
O João Lobo foi vereador do urbanismo e ascendeu a presidente.
Será que para se ser presidente primeiro tem que se ser vereador do urbanismo?
Lá o oposição tem que rever a estratégia quando concorre às eleições, na vez de se candidatarem a presidente de câmara têm é de se candidatarem a vereador do urbanismo e aí sim, estarão a um mandato de serem presidentes de câmara.
Nas fugas tb começo a ver as coincidências, o Zé Luis apresenta-se em grande plano nos outdors, mas quem é o candidato a presidente de câmara é o João de Almeida.
O Zé Luís sai de cena , já reformado, como convêm, e começa o mandato de João de Almeida.
João de Almeida candidata-se novamente e ganha as eleições, mas por pouco tempo, abandonando o cargo, já reformado, como convêm, e passa o mandato ao João Lobo.
João Lobo candidata-se e ganha as eleições, mas antes que isto dê para o torto reforma-se.
É engraçado todos estes percursos com pessoas diferentes e coincidentes nas estratégias.
Até já.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Com Ajuda do AVP e da VM

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Pois já o Broncas tinha alertado para um episódio caricato, rude e mal cheiroso do "homem das 4 sogras", caso queiram ler o texto outra vez cliquem aqui.


Consultor da Câmara da Moita vive em moradia de luxo de uma empresa de construção civil
A revisão do Plano Director Municipal da Moita está a ser contestada pela oposição e por muitos cidadãos. Em causa está um alegado projecto de urbanização maciça do concelho. A história da casa de um braço-direito do presidente da câmara, em que este tem uma intervenção determinante, é exemplo do que também é o poder local um pouco por todo o país. Mesmo em câmaras de maioria comunista.
…(continua)…
Ler Artigo completo aqui.

Uma história complicada de "amizade pessoal"
"Se nesta sociedade já não podemos ter amigos empresários, então não acredito nesta sociedade", afirma Rui Encarnação
"Tenho uma estima pessoal muito grande e uma relação profissional de há muitos anos com Emídio Catum e só isso é que pode explicar esta situação." A declaração foi feita por Rui Encarnação e serve para justificar o facto de, segundo garante, a moradia em que reside ser sua - embora tenha sido construída em terrenos da Montiterras, uma empresa daquele seu amigo, em nome da qual se encontram todos os documentos que lhe dizem respeito.
…(continua)…
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Um licenciamento muito excepcional
Excesso de área foi ignorado pelo então vice-presidente. Piscina está ilegal. Técnico municipal fez projecto
O projecto de arquitectura apresentado pela Montiterras para a moradia do Penteado, em Fevereiro de 2000, foi aprovado em 29 dias, apesar das objecções dos serviços, e a licença de construção foi deferida 43 dias depois. Tudo isto com a assinatura do então vice-presidente e actual presidente da Câmara da Moita, João Lobo.
…(continua)…
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Protocolos com os grandes construtores debaixo de fogo
A revisão do PDM da Moita está a ser fortemente contestada, entre outras coisas, por causa dos protocolos celebrados pela câmara com um grupo de grandes promotores
Criticada como poucas vezes se tem visto em Portugal, pelos partidos da oposição e por um movimento de cidadãos, a revisão do PDM da Moita contempla a exclusão de vastas manchas da REN, que se admite somarem mais de 400 hectares, assim transformados em solos urbanizáveis. Paralelamente, a proposta aponta para a afectação à mesma reserva ecológica de quase o dobro daquela área de solos agrícolas, pertencente a pequenos proprietários.
…(continua)…
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Uma semana não chegou para a câmara responder
As matérias tratadas nestas páginas, em particular as condições em que a moradia da Montiterras foi aprovada pelo presidente da câmara e as alterações ao PDM previstas para o local em que ela se situa, foram objecto de um pedido de esclarecimento dirigido a João Lobo na noite do passado domingo para segunda-feira. Tratava-se de um conjunto de 24 perguntas escritas, entre as quais foram seleccionadas as 12 que o PÚBLICO julgou mais importantes, depois de o chefe de gabinete do autarca ter comunicado, na quarta-feira, que as respostas seriam dadas "dentro das disponibilidades dos serviços", mas não nos prazos solicitados. Apesar desse encurtamento, nenhuma daquelas perguntas obteve resposta até agora.
…(continua)…
Ler Artigo completo aqui.

Por José António Cerejo, in Jornal "Público", 28 de Janeiro 2007.

domingo, janeiro 28, 2007

sábado, janeiro 27, 2007

sexta-feira, janeiro 26, 2007

quinta-feira, janeiro 25, 2007

O São Paulo da Moderna?

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No Ai o Cocó!! da amiga Trilby chamou-me a atenção para o Cinco Dias e uma postagem colocada por Nuno Ramos de Almeida com o titulo de "Máquina do Tempo" onde são transcritos alguns artigos do Paulinho das Feiras onde a opinião deste Santo da Moderna na altura era defensor da despenalização da IVG.

“Quanto ao poder laico, e livre, da política, é clara uma transferência do poder político para o poder religioso. É sintomático que as grandes discussões a que, desde há tempos, o País assiste tenham subjacente uma jaez militar ou religiosa. Progressivamente é essa a duplicidade institucional que ordena, solidifica. Do último ponto de vista dois exemplos recentes adensam a preocupação já expressa: por um lado a competição política, provinciana, que já se vislumbra e decerto crescerá, à volta da visita do Papa a Portugal. Pelo rumo que o facto leva vamos assistir naquele que devia ser um acontecimento pastoral e moral de extrema importância, a um jogo turvo de influências, para que saiba quem convidou, quem esteve mais minutos com Sua Santidade, quem mais o acompanhou, quem ganhou os seus louros. O segundo tem que ver com o tom ‘Cro-Magnon’ com que a questão do aborto tem sido tratada entre nós. (…) a AD não tem a menor autonomia de discurso, já se não pede de voto, nem de vontade, em relação à Igreja, e limita-se a repetir o que esta diz,a presenciar o que esta proclama. Os socialistas dividem-se entre a sua história e a história que a Igreja quer que eles façam.
Só por referência lembre-se, por exemplo, que em França foi uma liberal, assumida como tal, da maioria giscardiana, a senhora Simone Weil quem, contra os mais conservadores e os mais ortodoxos, impôs a lei do aborto. Lá, os socialistas não tiveram dúvidas. Giscard, líder da maioria, não interferiu. Quer isto dizer, uma vez mais, que somos subdesenvolvidos; e que, no caso, andamos atrasados, à direita e à esquerda. A menos que se rejeite a Europa moral e apenas se queira a Europa económica…”.Paulo Portas, “Civis, Laicos e Europeus”, in Tempo, 4 de Março de 1982.

Passem por lá e confirmem com os vossos olhos os outros artigos deste Santo da Moderna.

Podiam ter sido mais explícitos

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Quando se fala que as pensões não podem baixar, temos de ser explícitos e muito claros ou não haverá credibilidade nas palavras de ordem lançadas à população. Vejamos na edição do "Correio da Manhã" de hoje (25 de Janeiro) o tipo de reformas e pensões que alguns senhores vão auferir. Certamente que a pensão da minha avó e de tantos outros não podem baixar, mas as destes senhores é estarem a brincar com a desgraça dos outros.

As Pensões Não Podem Baixar? QUAIS? E DE QUEM??

TOP PENSÕES
  1. João José C. Gomes Esteves (Técnico pirncipal) - 6307,65 euros
  2. Abílio Vasconcelos Carvalho (Juiz conselheiro no Conselho superior de Magistratura) - 5748,46 euros
  3. Emídio Pires Rodrigues (Juiz desembargador no Conselho Superior da Magistratura) - 5615,45 euros
  4. José Manuel Martins (Juiz desembargador no Tribunal da Relação de Lisboa) - 5581,03 euros
  5. Manuel Pinto Alves Azeredo (Procurador da República na Procuradoria -Geral da República) - 5260,66 euros
  6. Luís António Valadares Tavares (Procurador da República na Procurdoria-Geral da República) - 5180,49 euros

(Fonte: Caixa Geral de Aposentações)

terça-feira, janeiro 23, 2007

Nossa Senhora Chora...

"...e Ela chora por milhares de inocentes que podem perder a vida antes mesmo de dar o primeiro gemido."

Facto demonstrativo da capacidade da Sta. Madre Igreja, da sua experiência e saber, em manipular usando o Dogma da Fé. É tão poderosa, tão influente, que bastaria o seu empenhamento contraceptivo nos subúrbios de Buenos Aires, nas favelas do Rio e tantas outras partes do mundo, para que as mães de 13 anos e a transmissão da sida reduzissem de um tempo para o outro.

Mas não importa, é um crime penitente. A S.ta Madre Igreja acolhe todos os inocentes, indefesos e pequeninos, até aguarda que venham ao mundo ainda no ventre da mãe. É a Igreja em penitência naqueles bairros e favelas, onde a fome não existe, apenas jejum, para a expiação de todos os males, garantindo-lhes o acesso ao Reino dos Céus.

Com a proximidade do referendo, não é a IVG que incomoda os Eminentes Eclesiastas, mas sim o temor que têm às mulheres, que estas tenham poder, que se emancipem da Canónica Tutela Masculina.

"A Igreja não muda nem mudará", afirmou D.Policarpo, receoso que lhe estraguem a família que ao longo dos séculos nunca integrou uma mulher. Uma família contra-natura, assumida como sagrada e sobrenatural - composta apenas pelo Pai, pelo Filho e pelo tal de Espírito Santo.

Esta família, a gloriosa Trindade, estrutura central da StªMadre Igreja, nunca reconheceu a prática sexual como fonte de prazer e de equilibrio mental inerente á natureza humana, sempre diabolizou a sexualidade.

Quem ainda hoje esconde que Adão gostou da maçã que Eva lhe deu a provar, persiste em colocar a mulher na condição de apenas servir o homem. As Eminências, Cardeal D.Policarpo, Arcebispo D.Ortiga, Cónego Narciso e outras mais, nas suas homílicas declarações, falam de aborto, mas nunca falam da mulher.

O estilo que apresentam com a proximidade do referendo, façanhudo e hipócrita, atira-nos para o tempo do Concílio de Niceia, para os anos 800 - em que era proibido ter relações sexuais aos Domingos, Quartas e Sextas, durante oito dias após o Pentecostes, nos cinco dias anteriores à Comunhão, nos quarenta dias anteriores á Páscoa e por aí fora. Somando mais de duzentos dias, que acrescidos dos periodos menstruais, colocavam a Sagrada Família numa triste penúria mental, obrigando assim o Pai e o Filho, a contarem telhas quase todo o ano. Embora com a ajuda do Espírito Santo.

COM TUDO ISTO, Nossa Senhora vai chorar!...

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Por uma questão de bom senso...

..e de respeito para com todos os blogues cá da parada, faço minhas as palavras do meu A(nónimo) V(izinho) neste post.

G'anda Noia

Marques Mendes compara a situação de desespero das mulheres que optam por interromper a gravidez, com os traficantes de droga e com a corrupção. Segundo ele num colóquio do PSD afirma o seguinte: É dificil combater a corrupção e o tráfico de droga, mas não os legalizamos. "Diário de Notícias (pag.8, 22-01-2007)" .
Mas esta gente tem noção do que diz? Como é possível comparar situações tão discrepantes? Está tudo bem com este senhor? G'anda Noia.

domingo, janeiro 21, 2007

Flogging Molly

Sempre gostei dos Pogues, mas estes rapazes não ficam nada atrás ;)

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Preocupado com a posição de Maria José Morgado???

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Maria José Morgado opta pela escolha e defende o SIM, mas parece que o Paulinho das feiras ficou-lhe com rancor e até diz que a procuradora adjunta não podia dizer o que disse, numa sessão pelo SIM realizada pelo PS.
Gostava era de ouvir o resultado da investigação "Moderna", se tivesse sido levado até ao fim por Maria José Morgado.

Suspiria Franklyn no RockLab

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BIOGRAPHY

«SUSPIRIA FRANKLYN was born in Portugal in the late seventies. Since early time she works in several areas: making music, composing, producing, and also making movies and visual arts.

First of all, forget all the convencional rules that makes a "good singer/performer". Suspiria always made it with a very personal and particular attitude, which is a reflexion of her music and her live performances, becoming unique events.

"Screams, Chaos and Sensuality", "Punk Diva" or "The Marlene Dietrich of Punk Rock" were newspapers headlines to describe Suspiria´s live gigs. »

Podem consultar o My Space de Suspiria aqui.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Pão Duro D'hoje era preferivel a Pandur II

No Barreiro foi inaugurada uma fábrica para construção de um veiculo blindado (Pandur II), que virá trazer novos postos de trabalho (mais para os ex-bombardier).
Só lamento que não seja uma panificação, mesmo que só fabricasse pão duro d'hoje era preferivel a esta arma de GUERRA.
Continuamos mais preocupados em eliminar o próximo do que a partilhar pão, mesmo que seja duro.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

7 horas da nossa miséria

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António Oliveira, 54 anos, ia de bicicleta por uma estrada que liga as freguesias de S. Teotónio e Vila Nova de Milfontes. Não seriam ainda 7 da manhã de 8 de Janeiro e foi abalroado por um automóvel que se pôs em fuga, deixando-o abandonado à beira da estrada. Avisado pelas sete e meia, o INEM chamou de imediato uma ambulância que chegou ao SAP de Odemira pelas 8h12. Apesar do estado de saúde do António ser grave (traumatismo crânio-encefálico e fractura exposta do braço esquerdo), como o alarme só foi dado pelas 7h30, tudo corria com a celeridade possível. Até que começou um verdadeiro calvário.

Como não há Viatura Médica de Emergência e Reabilitação em Odemira, às 9h 34 foi chamada a única existente no distrito, demorando uma hora a percorrer 100 Km. A equipa médica de Beja concluiu que o doente teria de ser rapidamente deslocado para um hospital central, em Lisboa. A VMER nem chegou a ser utilizada e o helicóptero saiu de Odemira às 12h15, chegando a Lisboa hora e meia depois. António deu entrada no serviço de urgência do Hospital de Santa Maria cerca das 14 horas e veio a falecer quatro dias depois.

Depois do facto consumado, começaram as reacções. Vítor Almeida, da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência, fez a pergunta óbvia: assim que o INEM teve conhecimento de que se tratava de um traumatismo craniano, porque não enviou imediatamente um helicóptero? E concluiu que o facto de estar longe das áreas metropolitanas não justifica a demora: “Qualquer português tem de ter o mesmo direito a ser salvo, vivendo em Arganil, Odemira ou Lisboa”.

O ministro da Saúde, depois de anunciar que “quer saber o que correu mal”, ainda não decidiu abrir um inquérito. Por sua vez, o presidente da Câmara de Odemira considerou "impressionante e inconcebível" o tempo de espera para o transporte para Lisboa e frisou a necessidade de uma VMER estacionada em Odemira, um concelho periférico que é simultaneamente o maior do país, um dos que tem um povoamento mais disperso e péssimas acessibilidades à capital, pelo menos até Sines.

Todos estes reparos são justificados. Mas este caso, tratando-se duma evacuação por via aérea, põe em evidência o principal problema dos nossos serviços de saúde e não só: a cultura de organização ou melhor, a falta dela. Desde logo, a falta de articulação entre o INEM e os serviços de saúde: SAP de Odemira e Hospital Distrital de Beja, até à tomada de decisão de transportar o doente de helicóptero para Lisboa, atrasada talvez irremediavelmente. Na ausência duma organização e de competências claramente delimitadas, é difícil também apurar responsabilidades quando algo não corre bem ou podia, eventualmente, ter sido evitado. António não é caso inédito. Há meses, em Ourique, outra vítima morreu na estrada depois de três horas à espera do helicóptero.

Há mais de uma década uma criança sofreu um aparente ataque epiléptico, perto de Santa Luzia, ainda não eram 9 da manhã. Em plena estrada (não havia telemóveis), o André teve de esperar por uma ambulância que percorreu 20 Km desde Odemira e outros tantos de volta ao Centro de Saúde. Aí chegado, foi decidido enviá-lo para o Hospital de Beja. Depois de horas de espera na urgência, concluíram que teria de seguir para um Hospital central – no caso o Garcia de Orta, em Almada, onde chegou ás 11 da noite. Felizmente, tudo correu bem. Mas as coisas não mudaram assim tanto: em Portugal, no século XXI, com GPS e alertas via satélite, ainda se morre a 50 metros do areal…

Há dias, um amigo francês teve o azar de partir um pé em Almograve, passava das 8 da noite. No Centro de Saúde de Odemira há aparelho de raios X, mas falta radiologista. E lá foi o Jacques para Beja, numa ambulância transportava também uma senhora idosa, utente de um lar e teve de parar várias vezes pelo caminho. No hospital as coisas nem correram mal: pela meia-noite estava pronto e engessado. O pior foram as dores: não lhe deram analgésicos e receita, só no médico de família, que ele não tem em Portugal… A ambulância já tinha abalado: com alguma sorte, “apanhou boleia” noutra ambulância para Milfontes, ás 3 da manhã. Em desespero, Jacques comentava: «Misère! En France, ce serait la révolution!».

Passado umas horas, mais calmo, reconhecia: as pessoas são impecáveis, o material até é moderno… mas falta algo a Portugal para ter nível europeu. E é por isso mesmo que muitos ucranianos e búlgaros, residentes na zona, preferem tratar-se nos países de origem: “melhor, mais barato e seguro”. Como dizia o outro: “É a organização, estúpido!”.

Alberto Matos

terça-feira, janeiro 16, 2007

Assim se compra a PT

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Fique rico sem qualquer risco:

  1. 16 mil milhões de euros emprestados
  2. Venda parte da PT
  3. Obrigue a Segurança Social a pagar o défice do fundo de pensões
  4. Pague dívida com os lucros da PT
  5. Use o dinheiro dos impostos para pagar ao banco

O novo dono da PT fica 6 mil milhões mais rico e não gastou um tostão. O banco que emprestou o dinheiro ganha 800 milhões em juros por ano.

Quem vai perder???

  • Os consumidores pagam mais
  • Os contribuintes pagam metade da OPA
  • 3000 trabalhadores despedidos

E tudo isto à vista desarmada. Arre Macho que é demais!!!

Mão Morta - Lisboa

Por entre as sombras e o lixo.

Assembleia de Movimentos pelo SIM

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Aceda aqui ao apelo da Assembleia de Movimentos pelo Sim
Aveiro, 14 de Janeiro de 2007

sábado, janeiro 13, 2007

Coisas da Mãe do Céu

"Para os fiéis católicos o aborto provocado é um pecado grave porque é uma violação do 5º Mandamento da Lei de Deus, "não matarás", e é-o mesmo que legalmente permitido. Não podemos, pois, deixar de dizer aos fiéis católicos que devem votar "não" e ajudar a esclarecer outras pessoas sobre a dignidade da vida humana, desde o seu primeiro momento" (Nota Pastoral do C. Permanente da Conf. Episcopal Portuguesa).

Como é possível que gente desta, no século XXI, caracterize os defensores do SIM como assassinos?

Basta exercitarmos a memória, além da exiguidade de uma geração, para percebermos tratar-se da HIPOCRISIA, instalada e sem limites, hipocrisia, própria dos representantes de uma religião que ao longo dos séculos perpetuou a violência nas comunidades humanas que influíu e influi, pelo medo, através do terror:

-Que ao longo dos séculos fortaleceram-se partilhando poderes, abençoando guerras e facínoras, promovendo até genocídios;


-Que ao longo dos séculos propagaram a ideia, de que a vida que temos, que é única, não tem valor nenhum, é apenas uma passagem onde devemos sacrificar o corpo para salvar a alma, como garante de outra vida;

-Que ao longo dos séculos, em nome da "Lei e da Ordem Masculina", sempre denegriram o amor maternal, a dignidade da mulher - fazendo prevalecer o Espírito Santo, até identificando Jesus como filho de mãe virgem, concebido sem sexo, sem amor, sem corpo. Filho de uma mulher estéril.

Trata-se de Gente Fanática, fundamentalista, a pretender a todo o custo, conservar o Dogma da Fé, agrilhoando a comunidade a valores que não decepcionem a única mulher que reconhecem e respeitam, Virgem e Estéril - a dita Mãe do Céu.

MULHERES, libertai-vos!
Impeçam que gente fanática ordene nos vossos ventres.

Estranha "Universidade do Povo"

Um amigo fez-me chegar um comunicado distribuido pelas ruas e casas da Moita de uma tal "Universidade do Povo" situada na "Quinta do Juncalinho, Lote 85, 2860 - 428 Moita".
O nome até me pareceu apelativo e veio-me à memória as campanhas de alfabetização, entre outras actividades desenvolvidas em tempos por pessoas que disponibilizavam o seu tempo, para partilhar e ensinar a outras mais carenciadas e que não tiveram a hipótese de estudar no tempo da outra senhora. Até aqui tudo bem. Qual o meu enorme espanto quando começo a ler o dito comunicado que tem por cabeçalho "Carta aberta a Rui Rio e a todos os partidários do «Sim Ao Aborto Livre»", fiquei pampo com o titulo e com o conteudo deste comunicado que passo a transcrever:

"Eu, abaixo assinado, pedagoga e matriarca do Povo, venho, por este meio, dizer a Rui Rio e a seus aliados no«Sim Ao Aborto Livre»:
Perante o que ouvi de vossos lábios, através da televisão (considerando o movimento do SIM à interrupção voluntária da gravidez um acto nobre) vocês não merecem o pão que comem nem a agua que bebem porque deveríeis fazer parte do Oceano das vítimas do SIM à morte das crianças no ventre materno!
Vocês não merecem os beijos, os carinhos, os imensos trabalhos e canseiras que vossos pais e restantes família ou amigos vos doaram com amor e dedicação!
Vós sois autênticos Herodes (lol)! Sois CAUDALOSOS RIOS DE SANGUE em direcção ao Oceano das vítimas do assassinato de crianças inocentes, no lugar onde elas se deveriam sentir mais amadas e protegidas! Com esse sangue inocente, que directa ou indirectamente derramais, ensaguentais o vosso rosto, o rosto de quem vos deu oportunidade de viver onde vos encontrais; ensaguentais ainda o vosso trabalho, o vosso partido político, o vosso lugar na sociedade, a vossa Pátria e sobretudo a vossa alma!
Em vez de engrossardes os rios dos derramadores de sangue inocente, deveríeis engrossar os rios daqueles que oferecem o seu próprio sangue para salvarem vidas em perigo de morte (eu já fui bombeiro e sou pela opção de escolha senhora patriarca). Esses sim, esses englobam movimentos de nobreza de sentimentos!!!
Recuso-me a tratar-vos por Senhores ou Senhoras porque não mereceeis o pão que comeis nem a água que bebeis, mormente Senhoria alguma! Rogo a todas as pessoas que queiram ser SALVA-Vidas, que lancem as suas as suas embarcações e redes nos Rios de sangue que já se estão a formar em direcção ao Oceano das vítimas mortais do «SIM» à matança livre de tantas crianças que poderiam vir a ser, até sábias e santas!
Honremos a memória de todos quantos já deram o seu sangue para salvar vidas em perigo!
Honremos a memória de todos os bombeiros volutários que já pereceram e dos que continuam a pôr as suas vidas em perigo para salvar quem se encontra em aflição!
Honremos a memóriade todos quantos, de algum modo, sacrificaram a sua vida ou os seus bens em benefício da vida de outros! Só desta forma nos podemos honrar a nós mesmos!
Data: 10 de Janeiro 2006
Autora: Guilhermina do Rosário Marques

PS: Visite a sala-museu da Universidade do Povo onde se encontra a cruz que simboliza o sofrimento das crianças que os pais não deixaram nascer. Faça a sua marcação.

Universidade do Povo
Quinta do Juncalinho, Lote 85
2860-428 Moita
TLM: 963805905"

É mesmo para aceder aqui a esta barbaridade, porque não inventei este texto!

E agora vale a pena elucidar esta Guilhermina?
Telefonei a marcar uma visita à sala-museu para ver a cruz, mas esqueci-me de perguntar se davam lanche ou se as mamadas estavam incluidas.
Patriarca (não sei do quê), você encontra-se confusa sobre o direito de optar. É certo que desmanchos você até os compreende mas aborto ou interrupção voluntária da gravidez já lhe faz confusão.
Sou sincero, o Rui Rio é dos presidentes de câmara que mais me revoltam e não podemos branqueá-lo com este movimento (há muitos mais). Será que o Rio é uma pedra no seu sapato de Social Democrata?! Só pode! A "pedagoga" deveria informar-se sobre os crimes que a sua "cruz" cometeu, não é o gajo que lá está pendurado (nascido de uma aventura de Maria e por desculpa lá veio o tal espírito santo), mas sim o que fizeram com o sofrimento do bacano e toda a história do mundo civilizado, desde inquisições, proibição de preservativo, pedófilos e outros. Como o Broncas já colocou aqui num post "Obviamente mataram-no", pelas atitudes tomadas em defesa dos pobres e moribundos, tal como as ossadas de recém nascidos (essas sim) encontradas em escavações no Convento de Mafra revelaram ao mundo, que afinal os Padres e as Freiras não são de ferro. Optaram pelo desmancho não é? Deixe as outras pessoas optarem, não seja hipócrita!
Bom, isto já vai longo e comunicados destes não merecem resposta.

Pro-choice * Pela escolha

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77% dos responsaveis pelos movimentos anti aborto são homens.
100% deles nunca irão engravidar.

SIM

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quarta-feira, janeiro 10, 2007

Bush ao banco dos réus

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Para a opinião pública mundial, a passagem de ano de 2006 para 2007 foi assinalada não pelas doze badaladas da meia-noite, mas por um dos maiores espectáculos mediáticos de que há memória: a exibição de imagens da execução de Saddam Hussein, repetidas mil vezes pelas televisões e postas à disposição dos “consumidores” por todas as vias hoje possíveis na Internet. Antes de analisar o acto em si e a encenação de justiça que o precedeu, atentemos nesta mediatização inqualificável e nas suas consequências, a começar pelas mais directas: três crianças perderam a vida, ao tentarem reproduzir a “experiência”, em países tão diferentes como a Índia, as Filipinas e… os EUA.

Sobre a execução de Saddam, poucas dúvidas haveria: faltava apenas marcar a data. Mais uma vez, a “falta de jeito” norte-americana, sob a pressão do desastre militar no Iraque e do desastre eleitoral que varreu a administração Bush, ditou a sua lei. Em 2004, aquando da captura de Saddam, o caldo começava a entornar com a divulgação as imagens da prisão de Abu Ghraib, o massacre de Fallujah e a generalização da resistência iraquiana, nas suas múltiplas expressões políticas e religiosas.

Agora, perante a situação catastrófica descrita no relatório Baker, ex-chefe da diplomacia de Bush pai, a exibição de Saddam morto era a derradeira “vitória” de Bush para forçar o Congresso a votar as verbas necessárias ao envio de mais 20 mil soldados para o Iraque – uma curiosa “estratégia de retirada” que só tem paralelo na administração Nixon, quando a anunciada “vietnamização” da guerra a fez alastrar ao Laos e ao Cambodja, “de vitória em vitória” até à derrota total de 1975.

Neste tabuleiro, a justiça foi chamada a desempenhar um papel menor, de farsa ou mero pretexto. É claro que um ditador como Saddam poderia e deveria ser julgado pelo seu povo – nunca por um invasor e por um governo fantoche, ambos defensores da pena de morte, no Iraque como nos EUA. Em Portugal, apesar de tudo, orgulhamo-nos de ela ter sido abolida há mais de um século…

As consequências da execução de Saddam no próprio Iraque, quase quatro anos após a invasão, só não foram piores porque a morte se tornou absolutamente banal: enquanto os EUA contabilizavam três mil soldados mortos, as estatísticas apontam para mais de 600 mil iraquianos. E não custa crer que, entre protestos sunitas e festejos xiitas, a execução de Saddam tenha custado, de imediato, mais umas centenas… Sintomático: o nome Al-Sadr, gritado como última provocação aos ouvidos Saddam, é o do pai de Moqtada Al-Sadr, procurado pelo exército americano após o cerco de Fallujah – Sadr City é, aliás, o bastião xiita de Bagdad que mais resiste às forças de ocupação. E o regozijo do Irão pela morte de Saddam também não augura nada de bom para os EUA…

Em Portugal, é curioso verificar os estados de alma dos apoiantes de Bush e da invasão do Iraque. Pacheco Pereira tenta “discutir as alternativas para a coligação após a invasão”. Seriam americanos e os outros membros da coligação a julgar Saddam, não se sabendo com que base jurídica? Se fosse com base na legislação nacional iraquiana, Saddam seria quase de certeza condenado também à morte. Havia a alternativa de o julgar num tribunal como o de Haia – era provável que, se o julgamento fosse na Europa, Saddam escapasse com vida, mas ficaria preso até ao fim dos seus dias… Havia outra solução, a de levar Saddam para os EUA, como aconteceu com Noriega, mas também aí não seria difícil imaginar o clamor internacional e o impasse jurídico a que se chegaria… Tristes dilemas, para concluir: “Mas é preciso entender que os motivos dos americanos, como acontece com algumas das maiores asneiras cometidas no Iraque, resultam de uma mistura de boa vontade ingénua e negligência na análise cuidada dos riscos.”

O que nem sempre é verdade: à cautela e para não correr riscos, os EUA excluíram-se a si próprios, aos seus militares e responsáveis políticos, da alçada do Tribunal Penal Internacional. Mas o fim da farsa do julgamento de Saddam vem colocar na ordem do dia internacional o clamor de justiça para o Iraque e o julgamento de todos os crimes e criminosos de guerra. É certo que a justiça costuma ser a dos vencedores... Mas haverá alguém mais derrotado que Bush e os seus sequazes?

Em Inglaterra, o Channel 4 vai passar um telefilme no qual Tony acaba a caminho do Tribunal de Haia, em 2010. Mera ficção? As TV’s privadas não brincam às audiências e o tema é, no mínimo, popular. Bush continua na cadeira do poder, mas 2008 é já para o ano… Um conselho: é melhor, por todos os motivos, que o julgamento se realize num país onde não haja pena de morte.

Alberto Matos

terça-feira, janeiro 09, 2007

Olha aí!

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(Foto de Olivier Matthys gentilmente sacada ao Jumento com montagem de moi meme)
Ok, Cavaco está na Índia.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

AQUILO ESPELHA A INCOMPETÊNCIA

A vedação ainda não concluída do Parque Municipal, acabará destruída, vandalizada; não por um qualquer movimento de acção directa na defesa da paisagem urbana, por aquilo se tratar de uma aberração, mas porque os que sempre vandalizaram aquele espaço, têm mais um motivo a solicitar-lhes a acção.

Grades com 2m de comprido compostas por tubos de parede fina com 20mm de diâmetro, soldados a duas barras de 60mm fixadas por 2 parafusos M8 em prumos feitos de tubo rectangular, também de parede fina - tal é a fragilidade que em breve vão acabar por parecer arpas gigantes com as cordas rebentadas, ou seja uma vedação retorcida a desafiar elementares regras de segurança, transformando aquele espaço num lugar sinistro.

Quem projectou uma estrutura daquelas, aquela coisa, por certo que o dinheiro não lhe custa a ganhar. Aquilo espelha incompetência.

Muita Luta, Muito Esforço!!!!

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Certas coisas são assim,
muito esforço, muita dedicação, luta, trabalho ...
PARA SE ACABAR NA MAIS SUBLIME
MERDA !
(autor devidamente identificado)

Devia dar uma coisa que eu cá sei!

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(foto Margem Sul)

A entrevista de "Procuna" ao Margem Sul de Dia 6 de Janeiro (na página 11 e não na 7), diz que o Touro dá-lhe tudo.

Imagino... é difrente, é dilado, é di todas as manêras.

sábado, janeiro 06, 2007

MISERICÓRDIA obteve misericórdia

Tudo se passa "Entre Nós" no quadro do programa PROGRIDE, visando o combate à exclusão, por protocolo estabelecido entre a Stª Casa da Misericórdia de A. Vedros e outros parceiros institucionais.

Tratando-se assim de uma Irmandade Alargada, para a qual a Junta da Freg. da Moita terá de entrar com 1400 contos/ano, nos quatro anos de duração do referido projecto.

Porque é tudo uma irmandade, a Junta, as Juntas não terão qualquer competência activa no seu desenvolvimento, pois tudo será da exclusiva competência da Stª Casa.

"Entre Nós", aliás, entre os irmãos não faltarão "experts da caridadezinha", garantindo reverter misericórdia à Misericórdia.

A CONSTRUÇÃO DA ESCOLA SECUNDÁRIA DA MOITA É JÁ UMA CERTEZA

No dia 28 de Dezembro de 2006 na Assembleia de Freguesia, por "Proposta da Democrata" Srª Débora Borges - basta a população da Moita passar a votar no Pê-yes e a referida escola será de imediato construída.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

JP Simões "1970" - Bom 2007!

"Cá dentro Inquietação, Inquietação
É só Inquietação, Inquietação
Porquê não sei, Porquê não sei
Porquê, não sei ainda
Há Sempre qualquer coisa que está pra
acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê não sei, Porquê não sei
Porquê, não sei ainda"
José Mário Branco, "Inquietação"

Início de ano, a divulgação de um projecto singular e de grande maturidade musical. O Novo álbum de JP Simões (Ex-Belle Chase Hotel, Ex-Pop dell' Arte, Quinteto Tati), o músico de Coimbra, agora numa carreira a solo.

Um grande cantautor, escritor de canções. Este seu álbum estará a venda a partir de 15 de Janeiro. Vai ser um dos álbuns do ano! Garantidamente! E ele faz esta brilhante versão do "Inquietação" do José Mário Branco. A ouvir! Vão à página www.jpsimoes.com e descubram a sua trajectória.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

"ANJINHOS"

Do lato conjunto de referências fortes que o calendário Gregoriano nos legou, sobressai o periodo litúrgico pós Advento, desde o nascimento do Menino até ao dia de Reis.

Sem dúvida fortes referências que atestam culturas com raízes ancestrais, determinando tradições, que renovadas ou não, ao longo dos séculos a sumptuosidade ofuscando não apagou a sua origem em histórias e mensagens simples.

S.Cosme ainda não era padroeiro das parteiras. Lá p'rás bandas do Médio Oriente, num tosco abrigo de animais, uma mulher entrou em trabalhos de parto, aí nasceu um puto. Contam que pobre mas saudável e forte de saber, que ao longo da vida foi vigoroso na propagação da justiça, sempre humilde e determinado na emancipação do ser humano, desbravando os caminhos da paz.
Obviamente mataram-no.


Uma história simples, verdadeira ou não, que ao longo dos séculos se tornou complexa pelas habilidades teológicas, normalmente em usufruto exclusivo dos poderes dominantes.
E assim continua.

É vê-los por aí, os eleitos da politica em visitas aos pobrezinhos, com discursos eivados de candura, compungidos "com os azares da vida" que os condenou á pobreza...
Por tanta ternura, recebem sempre aplausos.

Viram o Sócrates? naqueles gestos docemente vincados pelos movimentos das mãozinhas, lindas e bem tratadas, garantindo-lhe um porte celestial e um estilo angélico. Parecia um Anjinho vindo dos Céus, anunciando-nos a Boa Nova:

- O crescimento económico aí está;
- o desemprego já baixou;
- os privilégios acabaram;
- as reformas estruturais...blá, blá, blá, blá... ...

Foi um discurso angelical. Aplaudido pelos deslumbrados do poder, pelos invejosos e ignorantes, pelos sábios gaiteiros da usura.