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quarta-feira, maio 21, 2008

Opinião - Os jovens trabalhadores e a mobilização para as manifestações!

Daniel BernardinoOs trabalhadores Portugueses estão a passar por um dos piores momentos na nossa sociedade, pela crescente precariedade no trabalho, pelo desemprego, pela redução das compensações no subsídio de desemprego, pelos salários baixos, pelo encerramento de grandes empresas, pelo medo. A geração mais jovem com poucas saídas para o curso que terminaram e que conseguem um lugar no mercado laboral assistem à degradação dos salários, são a chamada "geração 500 euros" que pode vir a ter piores condições de vida em relação à que tinham os seus pais.
O Instituto Nacional de Estatística refere mesmo que a situação dos jovens é ainda agravada pelo facto de haver 80% de precariedade no seu primeiro emprego.

Quem acompanha com proximidade os problemas que se vivem diariamente nos locais de trabalho, sabe o quanto difícil é hoje mobilizar os jovens para defender os seus direitos, o quanto difícil é sindicalizarem-se, porque o medo impera e o desemprego está apenas a um passo.
As Comissões de Trabalhadores e os Sindicatos têm no seu trabalho cada vez mais dificuldades para defender estes trabalhadores jovens, crescem os movimentos de defesa dos trabalhadores precários porque as alternativas ao movimento sindical têm de passar por inovar na forma como se mobilizam os trabalhadores e temos cada vez mais jovens a desacreditar o sindicalismo, esta questão merece uma enorme reflexão de todos os intervenientes da nossa sociedade laboral.

No próximo dia 5 de Junho vai haver uma manifestação em Lisboa convocada pela CGTP, contra a revisão do código de trabalho, sobre o qual o nosso Governo já disse, recentemente através do nosso primeiro-ministro que este código de trabalho é para avançar mesmo sem o acordo dos sindicatos, esta posição é de tal forma agressiva que deixa os trabalhadores sem alternativas, logo deverão manifestar o seu repúdio contra esta forma de governar e fazer todos os esforços para participarem neste dia de manifestação seja onde for.

Como membro de uma comissão de trabalhadores conheço as dificuldades que os trabalhadores têm, principalmente os jovens, para participarem na luta, é que um dia de greve custa-lhes bastante dinheiro, pois é menos um dia de salário que irão receber no final do mês que fará muita diferença no seu orçamento e caso sejam precários poderá custar-lhes mais do que um dia de trabalho, infelizmente, o próprio posto de trabalho.
São estes alguns dos motivos que fazem com que muitos jovens trabalhadores não participem nas manifestações, mesmo que compreendam que a luta pode mudar o rumo das pretensões do governo, mas o facto de também lhes mudar imediatamente a condição de empregado para desempregado pesa bastante na sua decisão de participar.

Esta forma de mobilização tem de mudar, os tempos são diferentes, têm de ser alteradas as mentalidades que sustentam que facilmente se mobilizam os trabalhadores como era antigamente. Dentro das empresas é que começa a mudança e dentro das empresas é que se mobilizam os trabalhadores. Levar os trabalhadores de uma empresa para uma manifestação em Lisboa, num dia de semana, não é fácil é bem mais fácil mobilizá-los para o exterior da empresa manifestando-se junto a esta. Tem de se mudar de estratégia e fazer manifestações ao fim-de-semana, não é fácil, mas é este o caminho da mudança à semelhança daquilo que se faz em Espanha, França ou Alemanha e tão bem já se fez em Portugal.

Daniel Bernardino
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia
Parque Industrial Autoeuropa

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Opinião - Também Somos Sindicalistas !

Daniel BernardinoOs coordenadores das Comissões de Trabalhadores das maiores empresas do parque industrial da Autoeuropa, não estarão presentes no congresso da CGTP nos próximos dias 15 e 16 de Fevereiro, António Chora (coordenador da CT da Autoeuropa com 3000 mil trabalhadores) e Daniel Bernardino (coordenador da CT da Faurecia o maior fornecedor da Autoeuropa com 520 trabalhadores) porque será ? Por ambos serem militantes do Bloco de Esquerda ? Ou por ambos serem coordenadores de Comissões de Trabalhadores ? Não quero acreditar que seja por isso!

As Comissões de Trabalhadores têm vindo a realizar um trabalho mais de proximidade dos trabalhadores têm conquistado novas formas de ultrapassar os problemas, inovando com propostas diferentes aceites pela maioria dos trabalhadores e isso tem se sentido no terreno, com paz social entre trabalhadores e empresas, esgotando o diálogo para se atingirem os objectivos e consequentemente desviando um pouco a atenção sobre os sindicatos, o que não se pretende, o que que se pretende é uma convergência de forças que alguns sindicalistas têm de entender! Têm de entender que temos de trabalhar de dentro das empresas para fora e não o contrário, de fora para dentro é isso que temos feito.

O trabalho realizado é visível, mas nem sempre é fácil. Não entendo porque este trabalho não é reconhecido e porque nenhuma das cinco Comissões de Trabalhadores que representam mais de 4000 trabalhadores não foram convidadas para serem delegados ao congresso da CGTP! A maioria destes representantes são sindicalistas, se não o fossem podiam justificar-nos que esse seria um dos argumentos, mas não o é!

Desejo que o Congresso seja um sucesso e reforce a CGTP.

Continuaremos com o nosso trabalho, com os nossos objectivos e com a nossa força, enquanto os trabalhadores assim o entenderem e votarem em nós, como o têm feito até aqui. Pode ser que um dia se lembrem que também somos sindicalistas.

Daniel Bernardino
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia
Dirigente Sindical do Sinquifa
Parque Industrial Autoeuropa

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Opinião - Carvalho da Silva vai continuar a projectar a CGTP para o futuro.

Daniel BernardinoOntem o Secretário Geral da CGTP, anunciou estar disponível para continuar no Conselho Nacional da CGTP, logo a continuar no lema da maior Central Sindical, o que na minha opinião faz todo o sentido. No entanto, espero que seja nas condições de continuação de projecção para um sindicalismo cada vez mais ao serviço dos e para os trabalhadores como tem tentado fazê-lo.

Na sua caminhada de fortalecimento da CGTP, seria muito satisfatório, o facto da central entrar para a Confederação Europeia de Sindicatos, porque a realidade dos nossos tempos e dos que virão necessitamos cada vez mais de Sindicatos Unidos na Europa e no Mundo.

Mas, um Sindicato ao serviço dos trabalhadores tem forçosamente de contar com activistas sindicais ao lado dos trabalhadores, não com activistas que nem a quadros de empresas pertencem.
Um sindicato autónomo tem de contar nas suas fileiras com aqueles que estão dentro das empresas, sentem o pulsar das necessidades dos trabalhadores, dos seus interesses e defendem os seus direitos mais próximo destes. Não quero dizer que muitos activistas não o façam, mas outros há que estão muito afastados daquilo que uma empresa pretende, que tipo de resposta os trabalhadores devem dar a cada questão, a cada problema, é diferente de empresa para empresa os problemas que existem e as formas dos resolver e enfrentar.

Portanto, conto que o Congresso da CGTP nos dias 15 e 16 de Fevereiro, fortaleça a Central Sindical e que o caminho seja, cada vez mais, de união entre os trabalhadores com o sindicato, de mais sindicalizados e activistas que apresentam trabalho, principalmente os que estão dentro de cada empresa. Para que tal aconteça, é necessário estar mais pertos dos trabalhadores dar mais autonomia à CGTP e olhar de baixo para cima ouvindo os trabalhadores e não tomar decisões de cima para baixo em que muitas vezes os trabalhadores se sentem cansados de ouvir sempre o mesmo e desacreditam.

Daniel Bernardino
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia
Parque Industrial Autoeuropa

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Opinião - A CGTP à mercê da força política

Daniel BernardinoManuel Carvalho da Silva poderá abandonar a liderança da CGTP e não ser sequer candidato a secretário-geral no próximo congresso que se realiza a 15 e 16 de Fevereiro, devido às exigências impostas pelo PCP, quanto à composição da futura direcção.

Fonte: Diário digital e Jornal Público 09/01/2008

A CGTP pode estar a caminhar para um retrocesso na credibilidade junto dos trabalhadores caso o seu secretário geral não continue no leme da maior central sindical em vésperas do seu 11º congresso, tal como foram hoje avançadas informações na comunicação social.

Manuel Carvalho da Silva tem vindo a credibilizar a CGTP, tornando-a mais forte e eficaz na luta pelos direitos e interesses dos trabalhadores mobilizando cada vez mais trabalhadores para junto do sindicato, mesmo aqueles que nem são sindicalizados e a pouco a pouco tem afastado a maior central sindical nacional do poder político que é sem sombra de dúvidas uma das maiores pretensões de muitos trabalhadores Portugueses.

O caminho dos sindicatos tem de ser cada vez mais o de representar o maior número de trabalhadores, independentemente da sua côr política. Seria muito importante a sua continuidade para o bem de todos os trabalhadores numa fase em que vivemos aterrorizados pelas alterações que podem vir da revisão do Código de Trabalho.

O trabalho do homem que hoje tem na sua memória a realização da maior manifestação dos ultimos 20 anos não pode sair do projecto que tem relançado o sindicato em Portugal, mesmo que muitas das vezes tenha resistido a tentativas de lutas impostas por motivos políticos deverá continuar a defender os trabalhadores, como esperamos que o faça.

Daniel Bernardino
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia
Parque Industrial Autoeuropa

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Opinião - País de fantasia para os trabalhadores

Daniel BernardinoOs Ministros dos vinte sete Países da União Europeia chegaram a acordo sobre a "flexigurança". Até aqui nada de novo porque todos os trabalhadores Portugueses sabem que o Ministro Vieira da Silva não deixará que esta medida deixe de ser aplicada no nosso País.

Esta fórmula mágica que o Governo afirma que será melhor para o mercado de trabalho, vai trazer mais e melhores empregos, mais melhor protecção social, facilidade nos despedimentos e facilidade na procura de emprego. Parece que todos vamos viver no País da fantasia!

Onde vai o Governo arranjar subsídios de emprego como os que têm os trabalhadores Dinamarqueses? Será que temos uma Segurança Social com bastante dinheiro? Segundo o nosso Ministro do Trabalho teremos o reforço da negociação colectiva.Vamos negociar os contratos colectivos de trabalho reforçando os direitos dos trabalhadores ou vamos negociar a sua caducidade e retirar-lhes direitos consagrados nestes?

A adaptabilidade dentro das empresas. O que é isto? A Facilidade de adaptação a horários flexíveis? As escolas, os infantários também se adaptam aos horários fléxiveis dos trabalhadores?

Mas se olharmos ao País real, e este é que conta, temos uma taxa de desemprego cada vez mais alta com cada vez maior precariedade e menos direitos, e sabemos que é por este caminho que as associações patronais querem seguir, senão vejamos:

Flexibilidade de despedimentos, o Código de Trabalho prevê os despedimentos colectivos e são cada vez são mais.
As empresas estão a recorrer cada vez mais aos despedimentos colectivos o aumento foi em Agosto de 54% em relação ao ano de 2006, isto revela claramente a facilidade para despedir.

Relativamente à protecção social cada vez há menos, os subsídios de desemprego são cada vez menores, os trabalhadores precários têm menos regalias, não têm férias, subsídios de férias ou de Natal.

Os trabalhadores questionam onde está a rigidez no mercado laboral Português? Porque somos cada vez mais famílias endividadas (já vai em 128%)?

Vamos aguardar o que nos vai trazer a revisão do Código de Trabalho para se dar a resposta adequada.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Opinião - Somos quase os primeiros no desemprego!

Falta muito pouco para sermos os primeiros no ranking dos Países Europeus da Zona Euro com a maior taxa de desemprego. Após ultrapassagem em Setembro da nossa vizinha Espanha, em Outubro a Alemanha,só nos faltam pouco mais, são 0,3%, para chegar aos 8.6% da França, vamos em alta velocidade.

Os trabalhadores Portugueses têm todos os motivos para estarem descontentes com política de emprego do nosso Governo, porque tanto os empregados como os desempregados sentem cada vez mais as dificuldades, os desempregados pela falta de luz ao fundo do tunel para conseguirem um emprego, os empregados têm motivos para estarem descontentes porque apesar de terem emprego sentem que cada vez mais têm menor poder de compra, pois sobra-lhes mensalmente cada vez mais dias no final do dinheiro.

As melhorias que podem todos esperar são as que constam do orçamento de Estado com políticas de emprego desadequadas, com a preocupação da redução do déficite, desadequadas porque não garantem que os empregos apareçam.

A precariedade crescente instalada no nosso País que não é reflectida nos números do desemprego é muito preocupante, existem nesta faixa trabalhadores pobres mas empregados, não conseguem um emprego digno para terem estabilidade nas suas vidas, seja para um T2 ou para uma vida familiar com uma linha de esperança para um futuro melhor.

A sociedade está a tornar-se dependente dos números, das estatísticas, mas os números do desemprego, da pobreza estão a falar mais alto e são esses é fazem as pessoas viver.

A flexigurança vai mudar o quê para os desempregados, os pobres, os empregados ? Uma coisa vamos ver se não irá mudar, é o primeiro lugar do ranking dos Paíse da Zona Euro de desempregados.

Os Portugueses têm muitos motivos para estarem descontentes tal como demonstram as sondagens ultimas tornadas públicas pela Marktest em que se verifica a tendência de voto a mudar.

Daniel Bernardino
Bloco de Esquerda

quarta-feira, outubro 03, 2007

Opinião - Trabalhadores Portugueses são números para estatística !

No próximo dia 18 de Outubro, no parque das Nações, estarão reunidos os Ministros do Trabalho dos 27 Países da União Europeia para decidirem a questão da "flexigurança".

Perante o que conhecemos da proposta do Livro Branco das Relações Laborais, que certamente terá uma articulação com o que sair desta reunião para a revisão do Código de Trabalho, a ser apresentado em Concertação Social aos parceiros sociais, não podemos esperar que a situação venha a melhorar, pois tal não aconteceu com as alterações ao ultimo Código de Trabalho, como o anterior Governo achava que poderia vir a acontecer. Assim, podemos constatar no ultimo relatório da Eurostat os resultados do desemprego em Portugal são muito preocupantes:

Portugal foi o país que sofreu o maior aumento na taxa mensal de desemprego, que saltou de 7,5% em Agosto do ano passado para 8,3% em Agosto de 2007, aponta o Eurostat, o departamento de estatística da União Europeia. O Eurostat mostra ainda que Portugal já está no quinto lugar na lista de países com maiores níveis de desemprego entre os 27 Estados-membro da União Europeia. Pela primeira vez em mais de 20 anos, Portugal apresenta uma taxa de desemprego superior à de Espanha (8,0% em Agosto). Os quatro países com mais desemprego que Portugal são: Eslováquia (11,1%), Polónia (9,1%), França (8,6%) e Grécia (8,4%).
O aumento da taxa de desemprego em Portugal é contrário à tendência verificada no conjunto da União Europeia. Apenas três Estados-membros registaram um crescimento do desemprego quando comparado com Agosto de 2006: Portugal, Irlanda e Luxemburgo. Nos restantes 24 Estados-membro, o desemprego baixou entre Agosto de 2006 e 2007. Com este comportamento, Portugal afasta-se cada vez mais dos padrões dos parceiros da UE.

Face a Julho, a taxa de desemprego média manteve-se estável na Zona Euro, em 6,9%, e baixou na UE a 27 para 6,7%, contra 6,8%. Um ano antes era de 7,8% em ambas as zonas.

Na comparação mensal, Portugal tem um agravamento da taxa de desemprego para 8,3% contra 8,2% no mês anterior.

Fonte:www.esquerda.net

Perante o cenário apresentado pelo Eurostat, pergunto se não existem motivos mais que suficientes para que no dia 18 de Outubro estejam presentes no Parque das Nações, o maior numero de trabalhadores possíveis em manifestação ? Verificamos que os Portugueses continuam a ser enganados, com políticas de emprego desadequadas, em que para o Governo o que conta os numeros do desemprego que são apresentados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional Emprego (IEFP) que não são iguais ao Instituto Nacional de Estatística (INE) e aos do Eurostat, afinal quem diz a verdade ?.

Não podemos aceitar que os trabalhadores sejam vistos e tratados pelo Governo como números para estatística ! Queremos que se tomem medidas para combater o maior problema social do País, o desemprego!

quinta-feira, setembro 13, 2007

FLEXI(IN)GURANÇA

FLEXI(IN)GURANÇA qual o tipo que pretendem os responsáveis pelo Livro Branco das Relações Laborais(LBRL) e o Governo ?

Será que dos dois exemplos que aqui apresento algum serve ?

Na empresa onde trabalho que normalmente cumpre com os direitos e regalias dos trabalhadores já tivemos dois tipos de "flexi(in)gurança"

A primeira, foram 5 trabalhadores que terminaram os seus contratos com a empresa e como não interessavam para continuarem, apesar de serem considerados bons trabalhadores com bom desempenho e boas avaliações, foi isso que levou a Comissão de Trabalhadores (CT) a defendê-los em tribunal, para um vinculo permanente à empresa, ou seja passarem a efectivos.

A empresa decidiu mandá-los embora e substituí-los por outros no mesmo posto de trabalho, o que levou a um processo em tribunal contra a empresa que durou cerca de 4 anos, que os trabalhadores ganharam em primeira instância no Tribunal do Trabalho de Setúbal e posteriormente no Tribunal da Relação de Évora ao recurso apresentado pela empresa, cabendo a uma trabalhadora a reintegraçãor na empresa, por assim preferir, que aconteceu efectivamente estando hoje ao serviço da empresa, quanto aos restantes trabalhadores preferiram as indemnizações a que tinham direito em vez da reintegração na empresa.

Assim pergunto, não terá sido isto Flexi(in)gurança, flexibilidade por parte da empresa para despedir e insegurança por parte dos trabalhadores que ficaram sem os seus empregos ?

A segunda, foi o anuncio de um despedimento colectivo anunciado pela empresa a 33 trabalhadores o ano passado, em Março, em que a CT teve bastantes dificuldades em defender os trabalhadores para continuarem com o emprego, tendo negociado com a Direcção da empresa a melhor solução para os trabalhadores e as melhores condições possíveis para o impacto social que poderia vir a ser criado na sua vida pessoal, passando a fazer parte dos números do desemprego.

Relativamente aos trabalhadores que saíram, e saíram por iniciativa própria foram 23 por negociação de mútuo acordo, garantindo assim que os restantes 10 se mantiveram na empresa com o emprego que não queriam perder e outros 23 que se queriam também manter o emprego não saíram por despedimento colectivo, consideramos que foi positivo.

Assim pergunto, não terá sido isto Flexi(in)gurança, flexibilidade por parte da empresa para despedir e insegurança por parte dos trabalhadores que ficaram sem os seus empregos mesmo sendo vonlutários para sair ?

Afinal o que pretendem mais os responsáveis pelo LBRL e o Governo com a flexigurança ? Voltar ao passado sem direitos para os trabalhadores ? Ou haver mais que os cerca de 860.000 trabalhadores precários e cerca de 380.000 a falsos recibos verdes o que faz mais de 1.240.000 trabalhadores flexiveis e sem segurança e estabilidade de emprego ?

Utilizando uma expressão da Deputada Mariana Aiveca concordo quando chama a isto "Flexi-coisa-nenhuma"

Daniel Bernardino
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia
Parque Industrial Autoeuropa

terça-feira, julho 10, 2007

Opinião - o Livro Branco das Relações Laborais e os Sindicalistas

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Artigo de opinião recebido na caixa de correio electrónico do Arre Macho (Mule Express). Passo a transcrever o dito:

Bastante se tem falado do Livro Branco das Relações Laborais sobre o qual se escreve muito, pouco ou bem, vindo de todas as orientações político-partidárias e sindicais.

Entre todas as opiniões que tenho ouvido e lido existe uma que me deixou particularmente preocupado, a qual poderá ter consequências entre os trabalhadores que decidiram travar uma luta feroz na greve geral de 2002, pois contraria tudo o que os levou a aderir à greve geral de 2002.

A opinião que tive a oportunidade de ouvir, de alguns experientes dirigentes sindicais, que transmitem aos representantes dos trabalhadores a preocupação de defender o actual código de trabalho porque dizem que aquele que vier será muito pior do que o temos, sobre isso não duvido, deixa-me tremendamente preocupado porque fui dos que lutaram em 2002, tal como os trabalhadores que represento , para derrotar o código de trabalho de então, proposto pelo ex Ministro Bagão Felix.

Recordo que na altura do actual código de trabalho, o qual o PS, o PCP e BE votaram contra, assim como a CGTP repudiou bem como os trabalhadores que lutaram contra ele, nos quais se incluíram os dirigentes sindicais que agora dizem que o devemos defender, é de uma estratégia completamente errada com a qual não posso de forma nenhuma concordar, bem como os trabalhadores que represento que se sentiriam ainda mais fragilizados e defraudados com a luta travada então que teve uma adesão por partes dos trabalhadores da empresa que represento na ordem dos 90% sendo na data os trabalhadores mobilizados e esclarecidos pela Comissão de Trabalhadores.

Quando falo com os trabalhadores dizem-me que temos de rejeitar todas as alternativas que se apresentem e lutar para que reponham o que nos tiraram a partir de 2003, com a entrada em vigor do actual código de trabalho, que não nos trouxe mais e melhor emprego como alguns defendiam que viriamos a ter, mas sim menos direitos, o mesmo poderá acontecer com estas propostas para uma revisão do Código de Trabalho que muito sugere para que de tanta sugestão alguma coisa fique para nos prejudicar tal como aconteceu em 2003.

Devemos manter uma postura que demonstre que o tipo de política laboral que se tem tentado impôr no nosso País não serve os trabalhadores nem as empresas.
Para derrotar o que nos querem tentar impôr tem de ser dado mais espaço de intervenção aos representantes dos trabalhadores que se encontram no interior das empresas, temos de pressionar para que as Centrais Sindicais nos oiçam e colaborem mais conosco.

Antes da greve geral de 30 de Maio de 2007, tive oportunidade de dizer em várias reuniões de organizações representativas dos trabalhadores (Ort's) que o momento para a greve e os temas que para ela contribuíam não seriam o mais correcto, mas não foi por isso que deixei de aderir e esforçar-me com os trabalhadores e Ort's para o seu sucesso, tendo mesmo convidado o secretário geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva e o João Paulo do Conselho Nacional da CGTP a realizarem plenários, conjuntamente com a CT na empresa que represento, para que os trabalhadores se sentissem melhor esclarecidos sobre os motivos da greve geral , o que aconteceu mas não chegou para os mobilizar, tivemos uma adesão de 30%.

Penso que só com a participação dos representantes dos trabalhadores, que trabalham nas empresas, tornaremos os sindicatos mais fortes deixando que façam ouvir a voz dos trabalhadores em vez de qualquer força partidária.

Daniel Bernardino
Coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia
Parque Industrial Autoeuropa