Porque falta pouco tempo para o fim do dito "programa de ajustamento", surgem em catadupa diferentes comentários sobre o balanço destes ultimos três anos. Usando os critérios de avaliação que a maioria protectora da actual governança tanto gosta, cheguei ás seguintes conclusões:
1- Recuperar o acesso aos mercados, dispensando a assistência financeira do FMI e UE, tendo em conta a taxa de juros de 4,5% a 10 anos a baixar, não deixando de ser um risco por não se adivinhar os desígnios do Deus Mercado, é um sinal que está a gerar entusiasmo na governança;
2 - Saneamento das contas públicas, com a abrupta redução do défice orçamental e paragem do endividamento público. A porca torceu o rabo, apesar dos elevados cortes na função pública e na segurança social. O défice retraíu, mas num ritmo longe do previsto, estando a um nível cuja consequência foi o aumento da dívida pública, muito para além do que a governança pretendia. Embora disfarcem, trata-se de um desaire só coberto por ainda mais cortes;
3 - Competitividade da economia, em resultado das virtuosas reformas estruturais - que se têm traduzido na desregulação laboral, nas alterações na educação, saúde, justiça e outros, nomeadamente na desvalorização interna, como a redução dos custos salariais. Também aqui a porca torceu o rabo, mesmo apesar do aumento das exportações e o prenúncio da dita retoma económica (com atraso de um ano em relação ao objectivo troykano) a profunda recessão que se verificou, muito acima do prometido fazendo crescer o desemprego, atirou a dita competitividade da economia ás malvas.
Mediante tais conclusões assentes nos critérios que a governança tanto gosta de usar, não vislumbro factos que sustentem os discursos que a maioria PSD/CDS por aí fazem. Assim e a manterem-se na governança, é previsivel que logo após as eleições europeias apareçam mais cortes, mais reformas a esbandalhar o país.